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Som Divergente: A Neurodiversidade como Matriz Criativa na Música Instrumental

Foto do escritor: Marcinho Thuler
Marcinho Thuler
29 de set.
2 min de leitura
Marcinho Thuler, guitarrista mineiro especialista em jazz fusion e música mineira
Marcinho Thuler


O termo "Som Divergente" não é apenas um título de projeto; é a tradução literal de como o meu cérebro processa o mundo. Como uma pessoa autista, a minha cognição nunca operou na métrica padrão da sociedade, e isso se reflete de forma incontornável na minha linguagem musical. A minha cabeça não funciona em um previsível compasso de 4/4, e a minha música também não poderia funcionar. O meu som segue exatamente a arquitetura da minha mente: ele é assimétrico, não-linear e alheio às resoluções harmônicas fáceis que a indústria exige.


Foi dessa aceitação estética e neurológica que decidi estruturar a minha pesquisa musical em uma série contínua de álbuns batizada de Som Divergente. O objetivo é documentar as diferentes facetas da neurodiversidade em tempo real, criando um portfólio de música instrumental de vanguarda que recusa a padronização.


O primeiro volume da série, Som Divergente: Manifesto da Inadequação, nasceu de forma completamente orgânica e impensada. Havia uma urgência em externalizar o atrito diário com o mundo. Apenas entrei no estúdio, sozinho, e gravei o material do jeito que ele se apresentou. Sem composições pré-formatadas, sem edições corretivas na grade. Foi a representação sonora de um grito — uma resposta rústica, densa e solitária contra o excesso de formatação da sociedade.


Em contrapartida, o desenvolvimento do segundo volume, Som Divergente: Monólogo Íntimo, exige uma estruturação diametralmente oposta. Se o primeiro registro foi um grito de choque com o ambiente externo, este novo trabalho, com produção prevista ainda para este ano, é a tradução do que acontece do lado de dentro. É a crônica das minhas paisagens mentais mais reservadas. Para traduzir essa nova atmosfera e alcançar uma sonoridade mais camerística, estou reformulando a estrutura de palco e desenhando os arranjos para um formato colaborativo de duo ou trio.


Para curadorias, editais e diretores de festivais de jazz, a série Som Divergente se apresenta não apenas como uma performance musical, mas como um estudo de caso contínuo sobre neurodiversidade e inovação estética. É a prova prática de que a absoluta inadequação aos padrões sociais pode ser a matéria-prima mais rica para a renovação da música instrumental contemporânea.


 
 
 

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